20 – O trabalho de um hobby

11 min de leitura

Ainda esgotando as inseguranças de cada dia, trago um pouco das minhas na esperança de ir largando aos poucos quando se trata do meu trabalho, digo, hobby.

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Acredito que estamos em um ótimo momento para rever as nossas necessidades. Eu, por exemplo, tenho vários outros compromissos fora desse espaço tão íntimo desse podcast que acabo esquecendo que ele é tão gostoso de fazer, mesmo com todo o trabalho, mas será que é um trabalho mesmo? Bora mergulhar nessas inseguranças hoje? Pra quem não me conhece, eu sou Diego Malva e esse é Vírgula Dobrada Podcast.

O maior problema é sempre o de restaurar o ritmo. Um ritmo de trabalho que eu sei que já tive… encarar que já fiz outras vezes e que o ato de fazer é o mesmo, mas que o ritmo hoje é diferente. Não é muito fácil olhar e dizer que ele realmente veio de mim e que eu preciso valorizar as diferentes facetas de um Diego que adormeceu no que está satisfeito com o que está sendo produzido agora. Acabei mudando o suficiente para pensar que isso aqui talvez seja só um capricho de um sonhador, mas cara, olha só o tamanho que isso aqui tem para mim!
Eu já comentei para algumas pessoas que quiseram me ouvir aqui fora, de que eu sinto um pouco de vergonha de pensar no tanto de palavras que já ressoei dentro desse podcast. Pois ele equivale há várias etapas muito distintas de uma história que está sendo contada por mim mesmo. O quão intrigante é isso? Eu entendo que tenho um certo complexo por coisas do tipo, por exemplo, eu já devo estar na minha terceira conta no Facebook, excluía com o intuito de criar outra exatamente por não conseguir olhar as coisas que eu publicava em alguns meses ou anos da minha vida, mas pensando no mesmo lema que sempre levo desde que criei esse podcast, resolvi recuperar a conta que eu tinha apenas pra tentar aceitar essas lembranças.

Pois então, isso me fez começar a ter dúvidas sobre aquilo que eu realmente escrevi ou que eu apenas pensei e não expus de maneira mais aberta. Principalmente quando se trata de que sempre que eu penso mais profundamente sobre o Vírgula, ele é uma crítica e um desafio contra mim mesmo. Eu tenho extrema dificuldade de aceitar que eu já publiquei essa quantidade enorme de mídia em texto, vídeo e áudio, primeiro para que eu me exponha mais do que eu normalmente faço com a minha vida, e segundo somente para que eu pense duas, seis, vinte vezes antes de querer excluir qualquer um deles e esconder das outras pessoas um fragmento daquilo que um dia eu já quis expor pra elas. Só a falta daquele “episódio número tal” para mim, vai dizer que eu não estou sendo verdadeiro e escolhi ocultar aquela parte de mim. E isso vai contra tudo aquilo que eu acredito e defendo com unhas e dentes: a valorização daquilo que eu fui.

Mas sabe como é, a gente é humano, olha pro problema, finge demência e se sabota. E olha que já tá fazendo seis meses que eu não consigo me colocar fielmente dentro do processo criativo e das vezes que eu tentei, senti que não estava ainda tendo o momento certo pra isso. E agora, será que esse é o momento certo? Se você tá ouvindo isso, parece que sim, mas olha só, agora mesmo eu tô bem desacreditado que seja, pois eu ainda estou em processo. E é complicado desse jeito mesmo.

Esse podcast deveria se chamar “Vigor Dobrado” só pelo esforço que eu me coloco para dar um jeito de fazer dar certo e eu conseguir criar uma fórmula em que eu me sinta bem ao mesmo tempo que esteja engajado com a produção mais profissionalizada que eu entendo por ter ouvido outros milhares de projetos por aí. No fim das contas, eu não acredito que tenha encontrado a “fórmula perfeita”, mas nesse meio tempo eu aprendi a me organizar melhor, e isso facilitou minha vida em muitas coisas. Tenho que dizer que o problema que sempre aparece é o de conseguir continuar se sentindo bem com a produção por um tempo maior do que as primeiras horas de pesquisa. Eu posso chegar amanhã ou um outro dia qualquer e olhar para o que eu fiz e pensar “- Olha essa merda aqui”, e responder “ – Pois é, que merda.”

Mas, nem tudo são espinhos. Tem muitas vezes também, que eu faço alguma coisa e vou lá olhar e sinto que realmente eu não podia fazer nada melhor que isso e fico muito feliz por ter tirado meu tempo para fazer. Geralmente, é isso o que acontece com a grande maioria do que deixei sair do meu computador e caiu aqui na tua plataforma de ouvir podcast. Eu posso ter ficado insatisfeito ou ter encontrado um erro grotesco alguns dias depois? posso. Eu vou excluir? Não, mas posso ficar com esse sentimento dando uma espetada no ego por um tempo, até eu aprender a aceitar e viver com isso, e isso se tornou uma coisa muito importante nesse trabalho.

Falando em trabalho, o objetivo desse episódio era falar bastante sobre essa palavra “trabalho”, eu lembro muito bem quando comecei a utilizar ela aqui, pois eu acabei inserindo ela em muitos discursos meus quando eu quero falar do Vírgula. O sentimento inicial era o de aprender a pensar nele quanto a um trabalho, em que eu preciso aprimorar, profissionalizar e dar uma cara sempre mais organizada e séria.

No começo isso deu super certo, acabei fazendo tantas mudanças que chegou uma hora que eu comecei a me questionar se eu deveria mesmo estar tendo tanto trabalho, só que quando isso começou a acontecer… Já era tarde. Eu estava priorizando um pouco mais o aspecto profissional do que focar naquilo que ele era antes disso. Apenas um hobby. Um experimento, uma conversa comigo mesmo sobre as coisas que eu acreditava que eram importantes.

As horas de prazer em fazer um assunto novo foram se tornando aquele pensamento em como deixar o site mais fácil, ou como ter um logo mais bonito, como aparecer mais nas pesquisas do google, entre outras coisas. Se eram importantes? eram. Acho que se eu não tivesse feito isso logo, talvez muita gente nem teria ouvido, mas eu me perdi por alí. Comecei a me dar muito trabalho, e eu estava relativamente sozinho para fazer essas coisas. E é muita coisa. Comecei a cogitar pagar alguém, mas o dinheiro que estava entrando no projeto ainda era muito pequeno. E isso desanimou bastante.

Por um tempo, perdi o meu hobby. O prazer que eu tinha de estar produzindo, começou a se tornar massante, pensando sobre isso recentemente, eu me lembrei do meu primeiro emprego formal.

Eu trabalhei em uma empresa que vendia peças de veículos e passava das oito da manhã até às seis da tarde, de segunda a sábado carregando, limpando e organizando desde peças muito pequenas de carro, até amortecedores e pneus de caminhão. Eu fiquei nesse emprego por uns oito ou nove meses, até que literalmente comecei a adoecer por causa dele. Meu corpo começou a sentir o peso da rotina, e fui adoencendo e isso acabou me dando mais despesas. Tive que faltar ao trabalho para ir ao médico e quando vi, me demitiram por causa das consecutivas faltas.

Quando consegui esse emprego, eu estava a um tempo sem estudar. Repeti alguns anos do ensino médio e resolvi parar de vez, mas logo quando as coisas pareciam ir bem no emprego eu comecei a olhar para a vida dos meus colegas de trabalho e alguns já estavam lá há anos e anos. Recebiam o mesmo salário que eu e ficavam sonhando em ascender na empresa através de uma oportunidade que davam para alguns de nós. Não demorou muito para eu me tocar que aquilo não era para mim.

Não sei quando foi que isso aconteceu, mas o pensar no Vírgula estava começando a me fazer lembrar dessa oportunidade que nunca faria sentido eu cogitar em ter. Na época desse dilema do emprego, eu resolvi voltar a estudar e acabei entrando na universidade logo em seguida. Pra mim, o sentido de ter um emprego é para manter a própria comodidade. Ajudar, através do dinheiro, as suas ambições para além dele. Eu pensava que não tinha sentido continuar, se permanecer me deixava doente. Acabei vendo através da demissão uma oportunidade de pensar novamente em outras oportunidades que eu ainda podia ter.

O sentido de ter o Vírgula não é comodidade, mas o oposto. É estar o tempo todo reinventando o sentido de permanecer nas minhas inseguranças e até mesmo nas seguranças. Eu não consigo me ver sem ele, pois a existência dele me dá sentido para revisitar o meu sentimento do que é que eu penso ser a vida, no exato momento em que esse sentido já muda.

Talvez esse seja o sentido de ter um hobbie para muita gente. Fazer vai além de qualquer valor social ou pessoal. Se não fosse a compreensão do incômodo ou da auto sabotagem que faço durante o processo, acho que eu já teria conseguido desistir por completo. Poucas coisas na vida nos deixam com esse sentimento e continuam nos fazendo bem.

Eu sei estar sumido faz parte da minha própria essência, mas acho que essa palavra é bem característica pra mim, pois faço isso sem querer, às vezes pra rever algumas coisas, saber se eu estou fazendo a coisa certa, e aprender a amar aquilo que está acontecendo na minha vida.

Pra esse episódio eu estava sentindo que precisava refletir sobre como que eu voltaria a gostar daquilo que escrevo aqui e também voltar a pensar nesse trabalho como um hobby. E comparado aos outros assuntos que queria abordar antes desse episódio aqui,não tô sentindo qualquer peso em falar sobre isso, mesmo com esses quase um ano de barco parando, mas de uma coisa eu sempre tenho certeza: estar aqui é sentir carinho. Sentir que eu posso respirar sem medo. Sentir que eu tenho um lugar para também sumir.

Olá, eu ando tendo bastante tempo para pensar no Vírgula recentemente, principalmente por causa dessa quarentena que na data da gravação desse episódio tá ultrapassando os dois meses aqui no Brasil, demorei todo esse tempo pra conseguir começar a pensar que eu ando precisando de uma injeção de individualidade novamente, de voltar os olhos um pouco pra mim e ver que eu tô existindo de verdade nesse mundo aqui cheio de incertezas e tendo que pensar que, sendo sincero, estou podendo descansar a mente das muitas coisas que me solicitavam na vida antes do Coronavírus. Por outro lado, eu estou sentindo falta das coisas do mundo que eu antes reconhecia como inadiáveis e hoje, olha só.

Tô satisfeito com isso aqui. Não o corona, claro… Com o caminho que esse roteiro foi tomando. É por isso que  só tenho a te agradecer por ter me dado um pouquinho do seu tempo, e como sempre, agradeço especialmente para os apoiadores desse projeto: Pedro Henrique, que continua me apoiando desde que me conheceu quando ainda trabalhava na tal empresa; o Igor, lá do segundo episódio mesmo que é uma pessoa incrível que não conversa comigo já tem muito tempo, mas tá apoiando o projeto já tem três meses e eu não sabia! Mil desculpas e muito obrigado amigo, tu é um amigo; E obrigado ao Luca, que me conheceu quando eu ainda estava me expondo bastante e sempre respeitou o meu sonho com esse projeto, nos seus altos e baixos. Por último, pra você que tá aí ainda, uma última pergunta: o que você tá ganhando ou perdendo desde que tudo isso começou?

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Créditos das músicas usadas neste programa

Music by Dan-O at DanoSongs.com

Music by Kevin MacLeod (incompetech.com) licensed under Creative Commons: By Attribution 3.0 – http://creativecommons.org/licenses/by/3.0/

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