Macapá, Amapá
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#19 – Ninguém disse que era para ser assim

O Vírgula Dobrada Network contempla a vida e o Amapá do jeito que é. — Ouça os podcasts hospedados conosco.

7 min de leitura

Quando tu precisa levar em consideração que nem sempre as coisas tomam o rumo que espera.

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Transcrição

7 min de leitura

 Para que algo realmente funcione direito, tudo precisa ser gradativamente construído e, de alguma forma te fazer feliz. Esse projeto me faz feliz, mas também dá bastante trabalho. Eu não reclamo disso, aliás, tem muito tempo que eu não reclamo de alguma coisa. Eu acho que isso, até certo ponto, pode me ajudar no episódio de hoje, só que eu não me sinto preparado pra me dar o espaço necessário para isso muitas vezes.

Talvez eu já tenha dito por aqui, mas eu também já não sei mais se eu disse, mas eu sempre retorno aos primeiros episódios para que eu me sinta bem novamente com aquilo que eu produzo; O que me incomoda, é o fato de eu estar me sentindo forçado a produzir, ao mesmo tempo que eu me sinto desmotivado. São tantas dualidades estranhas dentro de mim que eu também não sei o que faço com esses pensamentos. O projeto tá sem receber conteúdo tem alguns meses, e eu não consigo parar de pensar que ele está assim nem um único dia. A minha vida gira em torno de uma vontade de estar escrevendo ao mesmo tempo que ela também está me empacando. Bom, eu cansei de estar vivendo assim.

Talvez as coisas estivessem tomando o rumo errado, talvez eu não devesse construir reflexões em tanto pensamento formalizado para compor os meus trabalhos, ou também não devesse pensar que ele só pode existir se eu tiver que me esforçar loucamente para que os outros o reconheçam como a coisa mais importante que eu já me imaginei fazendo. Eu gostaria de deixar esse trabalho mais leve, e eu não estou fazendo nada além de piorar as coisas sem me forçar a escrever os meus sentimentos.

Ao mesmo tempo que parei de fazer episódios, eu também parei de produzir qualquer outra coisa que eu me sentisse confortável, talvez eu estivesse começando a passar os meus dias apenas deixando a vida tomar o curso dela, e isso passou a ser parte de mim também.  É difícil deixar com que as coisas sejam assim, ninguém aqui me disse que era para que o vírgula dobrada fosse sério, ou que ele tivesse que ter pesquisas extremamente elaboradas, eu queria que ele fosse assim, mas acho que preciso voltar algumas casas para que eu possa levar ele adiante. Não dá pra conseguir conciliar tudo do jeito que eu imagino, tudo é extremamente trabalhoso ao mesmo tempo que também é extremamente gratificante. Porquê que tudo precisa ser tão complicado desse jeito mesmo?

Pode ser essa pressão de ter que mostrar pro mundo que dá trabalho tá aqui, mesmo quando não estou aqui, o meu maior desafio talvez seja o de deixar de dar tanta atenção para esses detalhes. É difícil ter que vir aqui sempre que eu estou em crise, talvez por eu também estar cansando de ter que justificar as minhas próprias dores ou mesmo as minhas dificuldades para as outras pessoas. Eu queria conseguir pedir desculpa para cada pessoa que espera muita coisa de mim e eu não posso oferecer nada além de paciência. Eu tenho pensado que não consigo fazer muitas coisas que eu amo recentemente. Que nada do que eu estou fazendo pode ser tão verdadeiro quanto o que eu realmente estou sentindo. Está muito difícil chegar aqui e não ter que dizer que eu não consigo e que eu preciso de ajuda para conseguir continuar. A real é que ninguém pode me ajudar a produzir sem ser eu e essas mesmas inseguranças que eu tô tentando relatar aqui aparecem sempre quando penso nisso.

Essa pode estar sendo a terceira ou quarta vez que eu tô tentando relatar sobre as minhas dificuldades de continuar produzindo pra cá, as outras vezes eu achei que era besteira e no fim nenhuma delas nem sequer chegou a uma lauda de trabalho. A minha ideia com o podcast sempre veio através de muitas inseguranças mesmo. Daquilo que eu precisaria mudar, reavaliar, ou tentar de um jeito diferente. Eu estou tentando deixar com que esse episódio fale mais por ele mesmo do que por o que eu tenho necessidade de expor.

Se eu tivesse que continuar tentando levar alguma segurança em meio das minhas inseguranças, eu estaria querendo me levar para fora da realidade que eu tô passando, a minha vontade agora não é de driblar isso, mas de enfrentar mesmo. 

O Vírgula Dobrada tem diversas mudanças críticas a todo momento, eu não sei se eu consigo continuar levando ele sendo uma forminha quase que imutável sem lembrar que eu, como ser humano, estou sendo diferente e mudando as minhas abordagens o tempo todo.

É difícil ser alguém que consegue partir com as suas questões e ainda assim deixar de lado os seus problemas e inconstâncias da vida. Eu não queria levar pras outras pessoas o meu desamor ou sentimentos de desencontro com o meu próprio eu;  no entanto eu não consigo mais deixar com que o mundo apenas diga o que eu preciso ser, eu quero ser esse poço de dúvidas e sem qualquer vontade de continuar às vezes, não posso evitar isso. Algumas coisas tem que ser mudadas e eu não sei se essas coisas estão me destruindo ou me fazendo crescer.

Acho que não consigo mais deixar de lado o que eu estou sentindo como pessoa, o aspecto terapêutico de fazer isso vai além de apenas sentir, mas também de querer encarar certos medos. E eu tenho medo. O maior deles é o de não conseguir seguir adiante com aquilo que me faz bem, estar aqui falando me faz bem de certa maneira. Eu só não consigo ter certeza se ter dito isso vai mudar alguma coisa no meu humor, ou conseguir me deixar pronto para fazer as minhas criações sem esse receio todo de não estar pronto novamente, mas vou estar. A ideia inicial desse podcast era não guardar mais nada do que eu tenho pensado no meio das pastas do computador, mas que elas saiam de mim (suspiro) e parece que hoje saiu.

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Créditos das músicas usadas neste programa

Music by Dan-O at DanoSongs.com

Music by Kevin MacLeod (incompetech.com) licensed under Creative Commons: By Attribution 3.0 – http://creativecommons.org/licenses/by/3.0/

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