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#14 – 2018 o (Meu) Ano de Desistências

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8 min de leitura

Nesse episódio especial de Natal, tentamos resumir o natal e o ano de 2018 na palavra “Desistência”.

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Transcrição

8 min de leitura

2018 foi para mim um ano cheio de desistências, demorei para querer analisar isso por eu também estar num processo de compreensão delas. Aqui nesse episódio resolvi resumir um pouco da minha reflexão sobre esse ano cheio de reviravoltas no ato de saber desistir. Quero mostrar aqui que você não tá sozinho nem quando desiste, segura na minha mão e coloque seu gorro de natal. Eu sou Diego Malva e esse é o Vírgula Dobrada Podcast.

INTRODUÇÃO

Bing Crosby – White Christmas

(50s)

I’m dreaming of a white Christmas

Just like the ones I used to know

Where the tree tops glisten

And children listen

To hear sleigh bells in the snow

Essa música se chama White Christmas, foi ouvida pela primeira vez pelos americanos no dia 25 de dezembro de 1941. 18 dias antes todos os americanos estavam sofrendo pelo ataque de Pearl Harbor, o qual matou 2403 pessoas e feriu outras 1178. Em 1942, Bing Crosby distribuía a versão original que você acabou de ouvir. E enquanto essa música acolhia e entristecia o coração de algumas famílias americanas que mantinham a tradição do natal, Crosby que nunca comemorou o natal – por não ser judeu, nem americano de nascença – tinha uma outra tradição, visitar o túmulo do seu filho que morreu no natal de 1928.

I’m dreaming of a white Christmas

Just like the ones I used to know

No ano em que essa música foi escrita por Irving Berlin, em 1940 nascia John Lennon. Este, durante todos os dias de sua vida, pelo menos até completar 31 anos, ouviu ela até cansar. Então, depois cansaço de White Christmas, em 1971 ele compôs a música Happy Christmas (War is Over). Que você com certeza já deve estar cansado de ouvir também, mas ninguém conseguiu ter uma epifania tão grandiosa a ponto de desbancar ela até agora.

John Lennon – Happy Christmas (War is Over)

(55s)

So this is Christmas

And what have you done

Another year over

And a new one just begun

And so this is Christmas

E então, é natal e o que você fez? Eu acabei desistindo bastante, confesso. Muito mais do que a maioria das pessoas diziam ao meu redor que estava propício a se fazer: que era resistir. Então fui aprendendo a desistir para conseguir dar conta de resistir a algumas coisas aqui e ali. O problema é que ao desistir, aprendi mais sobre pessoas, eu consigo sim desistir mais fácil das coisas, mas lidar com essa desistência depois, é bem mais difícil do que parece.

A gente suporta alguns amigos que não mantém mais contato, algumas pessoas falam uma coisa e fazem outra, algumas brigas de família, alguns relacionamentos acabados, algumas notas que você se se esforçou pra ter e não teve, uma universidade fechando os olhos para seus alunos e o Brasil fechando os olhos para os iguais que vivem dentro dele. A gente só não suporta resistir a tudo isso ao mesmo tempo, e ainda ter que dizer para todo mundo que é preciso resistir.

É por isso que eu desisti em 2018, e não foi pouco. Admitir isso não é vergonha pra mim, pois eu sei cada coisa que desisti, eu desisti sabendo do valor delas. Sabendo que elas fariam falta e que eu não poderia mais voltar atrás. Eu sei do que eu dava conta de resistir, e foram justamente essas coisas que não deixaram que eu surtasse durante esse processo todo, mas o mais importante foram as pessoas que continuaram me acolhendo junto a elas, mesmo comigo me perdendo por entre as muitas pessoas que não admitiam-se perdidas, eu vi que elas entendiam isso em mim e escolheram me deixar permanecer entre elas.

Eu não sou forte para cogitar não desistir, e é por isso que eu admiro muito você que conseguiu chegar até aqui sem lembrar de ter desistido alguma coisa, mas admitir o que desisti foi o que me fez entender no que eu também fui forte esse ano. Eu vi também que muitas pessoas procuraram a mim e o meu trabalho para aprender a desistir de maneira consciente, por não saberem que tinham essa opção, mas continuamos presos ao velho ditado:

“Desistir não é uma opção!”, mas que tal aprender onde que ela talvez seja?

Eu sou fraco, burro, insignificante e um completo fracasso para algumas pessoas, mas como que posso dizer isso de alguém se eu continuo me apontando esses mesmos adjetivos sem que ninguém esteja por perto?

Talvez seja hora de aprendermos a aceitar isso até que a gente não se enxergue mais do mesmo jeito que as outras pessoas. Já que vocês gostam de ditados, que tal esse? “Você não todo mundo…” Tu não precisa olhar para si mesmo como todo mundo te olha.

Afinal, no natal parece que tudo pode mudar de acordo com a música de Lennon, mas neste mesmo natal ainda existe a guerra, existe a distinção de fraco e forte, de rico e pobre, burros e inteligentes. Mesmo assim estamos todos existindo e querendo resistir em cima um do outro, tem vezes que eu penso que tem que ser assim mesmo, já que o equilíbrio ainda precisa existir. A guerra continua mesmo que seja dentro de você, como diz Lennon… é só se você quiser.

War is over
If you want it
War is over
Now

Ainda é importante lembrar que eu não estou trazendo para essa discussão os fatores ruins de uma desistência, estou defendendo essa palavra por ser um resumo de 2018 baseado naquilo que eu experimentei e percebi nas minhas relações com as pessoas. Compreendo meus privilégios em poder desistir de certas coisas, mas o quanto a gente ainda colabora com a destruição dessa sanidade, quando depositamos a nossa impossibilidade de desistir nos outros?

Temos de ser livres para compreender que nem sempre podemos ou conseguimos ser fortes para a sociedade, eu fico pensando na história do Bing Crosby que perdeu seu filho no natal, ao ter que olhar para tradição que é não faz parte da vida dele e ainda cantar White Christmas para uma nação que ainda em guerra estaria nostálgica com ao lembrar de suas vidas fora dela.

Por muito eu fiquei inicialmente triste pelas perdas conscientes de 2018, pessoas queridas que transformaram minha cabeça na mesma nostalgia de choros e risos. Momentos guardados que nem sempre são possíveis de serem lembrados sem alguma angústia, mas já me fizeram felizes e eu agradeço a minha mente por me lembrar deles, essa gratidão ameniza tudo.

Desistir é entender o que é essencial, é experimentar o quanto você pode aguentar e por quanto tempo é possível continuar com aquilo, é cansar-se depois de uma insistência sem fim e entender o momento em que sua própria mente diz “não tem jeito.”

Nem sempre precisamos dar tudo de nós, nem sempre é sobre esforço, nem sempre é insistência, nem sempre é mérito próprio. Às vezes é sobre olhar para si e ver o que pode ser feito agora para você e depois pensar no que os outros tem para te dizer ou olhar mais para suas próprias expectativas e ter certeza se elas vão (ou precisam) ser supridas agora mesmo.

Enfim, 2018 superou sim qualquer expectativa que eu tive. Tem coisas que estão hoje presentes na minha vida que eu não me vejo sem, mesmo que eu super entenda que vai haver outras coisas para se acrescentar e outras para tirar daqui para frente. O que é importante nisso tudo é que eu me deixo aproveitar aquilo que permanece comigo hoje. Viver no presente é estar com o que te faz bem. A tristeza não é um sentimento permanente, assim como a felicidade ela pode durar menos do que você imagina, então aproveite e sinta cada uma delas. Só não quero esquecer o que 2018 deixou pra mim, quando qualquer desânimo bate na gente por muito tempo. Talvez seja hora de analisar o que você realmente precisa e ir… desistindo.

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Créditos das músicas usadas neste programa

Music by Dan-O at DanoSongs.com

Music by Kevin MacLeod (incompetech.com) licensed under Creative Commons: By Attribution 3.0 – http://creativecommons.org/licenses/by/3.0/

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