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#13 – Você Ajuda Esse Podcast Sem Ouvir Ele

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10 min de leitura

Desde que comecei a fazer podcast eu faço pensando em você, mas essa é a primeira vez que falo sobre a sua importância como ouvinte mesmo sem ouvir ele.

Nesse episódio, Diego Malva fala sobre a importância do ouvinte na produção do Vírgula Dobrada Podcast e reflete sobre a presença ou não deste durante a produção do roteiro de cada episódio publicado. 
Outros assuntos abordados: Lugar de fala, internet, solidão

Descrição, transcrição e links de referência: http://virguladobrada.com.br/13
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Transcrição

10 min de leitura

Olá ouvinte, mesmo quem já está acostumado com o conteúdo desse podcast talvez ainda se surpreenda com cada episódio, tem certas coisas que mudam de lugar aqui o tempo todo, mas não se assuste. Eu posso até dizer que tudo se trata de algo emocional, mesmo que pareça que é apenas o meu, você vai perceber que é bem mais amplo que isso.

Sinto muito se essa for sua primeira experiência com o podcast, mas eu espero mesmo que não seja a última depois desse, principalmente depois de revelar que tudo o que você vai ouvir aqui neste episódio foi feito pensando em você, isso mesmo, você.

Não sei como chegou aqui, mas vou conversar sobre a sua importância em ter conseguido chegar e qual o meu papel enquanto produtor em te ajudar a entender isso, muito prazer nome é Diego Malva e esse é o Vírgula Dobrada Podcast.

[INTRODUÇÃO]

Num instante você é um embrião e no outro, uma pessoa que toma suas próprias decisões, será mesmo?

Se quem está falando no microfone sou eu e não você tem vários motivos para isso, e nenhum deles é meritocracia. Para não precisar contar minha história de vida aqui, eu gosto de pensar que cada um possui sua própria urgência. Conseguir falar com as pessoas era a minha desde que eu me entendo por gente e quando eu era criança nem internet existia direito, mas não demorei muito para perceber que pobre não tem voz para tais urgências tão pessoais.

Escrever e deixar público algo que você fala é muito fácil hoje, cada um usa seu tempo da forma que quer e é tanta gente falando ou compartilhando pensamento parecidos, que parece nunca temos tempo suficiente para acompanhar ou filtrar se você conhece mesmo a pessoa daquela publicação ali.

Eu não tenho ideia de quem que é você, mas eu estou falando diretamente contigo e ainda assim eu quero te compreender. Pensando no tempo que investi produzindo e tentando conhecer o público desse podcast, percebi que quem ouve passa normalmente por um exercício de empatia. Aqui tenho uma opinião a ser exposta, um problema a ser levantado, uma experiência para ser compartilhada e tem você me ouvindo, tirando suas próprias conclusões e tentando transportar-se para o meu ponto de vista a fim de entender onde que eu quero chegar com tudo isso.

Não sei seu nome, não sei sua história, mas quanto ser humano eu sei que você busca respostas de perguntas que nem você sabe quais são. Perguntas vem sempre através de conversas com outras pessoas que podem não se preocupar se vão ou não te machucar na construção dessas perguntas. Não quero te dizer que sou a pessoa mais confiável do mundo ou que o que eu digo deve ser levado como verdade absoluta, quando você discorda de alguma coisa é que você chega a uma cristalização ou embate com o seu pensamento inicial.

É difícil dizer que a relação que eu tenho com você aqui não é verdadeira. Há um sentimento que eu mesmo provoco pela vontade de dizer que eu me importo com as pessoas.

Enquanto eu falo diretamente para esse microfone pensando em você, muita coisa passa pela minha cabeça. Algumas coisas não são possíveis passar por escrito, pois apesar de sermos humanos e livres de qualquer certeza na vida, ainda achamos ruim lidar com as inconstâncias. Quando eu escrevo eu penso nas pessoas e na forma como essa mensagem vai chegar, mas eu nunca sei se ela vai chegar da mesma maneira em que eu pensei que ela deveria chegar. As palavras são muito complicadas de se colocar, e eu me sinto muito vulnerável a todo tipo de resposta a esse conteúdo que eu produzo.

Penso que ainda falta muito para eu me tornar um bom produtor de conteúdo, se é que isso é possível. Eu não sei em quanto tempo que eu realmente vou começar a produzir esse conteúdo pensando não apenas na mensagem, mas em todos os detalhes que julgo necessários. Detalhes que só aparecem a cada novo episódio, tem momentos em que, pela inconstância das coisas, o caminho que eu vou tomando vai sendo muito diferente daquele pensamento inicial que eu tava tendo.

Como eu disse, é muito difícil conversar com as pessoas, assim como é dificil tambem se fazer entender, é comum que tenha momentos em que eu não consiga dizer exatamente aquilo que eu gostaria no momento do diálogo, e tem vezes que até na escrita sinto que preciso de uma potencialização que não tenho ideia ainda de qual seja, mas para você entender a minha confusão com isso, eu gosto quando as coisas não acontecem do jeito que é esperado, porque enquanto eu penso em levar uma mensagem considero que você também pode transportar essa mensagem para o seu contexto.

O podcast ainda me confunde ao tentar escrever e em cada programa eu me vejo experimentando uma coisa nova. Estive tendo diversas conversas com algumas pessoas para saber se eu deveria ou não passar a embater a escrita e fazer ele sem escrever roteiro, e utilizar apenas tópicos daquilo que gostaria de falar. Quando penso na fala orgânica que esse tipo de conteúdo me levaria, também penso na forma em que isso afetaria o jeito em que conversamos.

Ao ver como nos relacionamos uns com os outros diariamente, percebo o quanto que tudo muda de acordo com a fluidez em que é estabelecida aquela relação. Tem momentos em que precisamos entender que é necessário parar de falar para que o outro interlocutor também também tenha seu espaço de fala. Por isso é comum que haja pessoas que não consigam conversar ou manter uma relação duradoura com alguém, sempre tem algum ponto ainda precisam ser reavaliados para que tudo realmente tenha seus aspectos positivos e verdadeiros.

Todo mundo precisa do seu lugar de fala, e o meu está sendo construído aqui mesmo nesse podcast, mesmo você nunca nem ter visto meu rosto na sua vida também tá ajudando com isso.

Como? Talvez eu possa explicar.

Fernando Pessoa já disse uma vez que:

“Nunca amamos ninguém. Amamos, tão-somente, a ideia que fazemos de alguém. É a um conceito nosso – em suma, é a nós mesmos – que amamos.”

A ideia que crio de você, ouvinte desse podcast, está ligado ao mesmo sentimento que você cria quando me ouve, mas no fim das contas eu não sou o que você pensa que eu sou, e nem você é quem eu imagino que seja. As nossas relações – mesmo aquelas que conhecemos pessoalmente – não são, nada mais nada menos que imagens criadas pelo nosso íntimo. Um ideal de alguém que só existe para a gente.

Portanto você talvez agora entenda, tanto o porquê é tão difícil explicar para alguém o quanto ela significa para a gente, quanto o tanto que você é importante para mim para conseguir produzir esse episódio. Tem vezes que você é apenas um número que aparece nas estatísticas de downloads de podcast, mas também tem alguns ouvintes que realmente vem comentar um simples

“O episódio está bem legal”

O podcast ajudou muito, na minha opinião,  melhorar a minha escrita e minha forma de me comunicar em outros aspectos e lugares, o meu próprio psicólogo diz pra mim que o que eu faço é terapêutico, eu já acreditava nisso, mas agora quem sou eu agora para negar a importância de tudo isso?

Eu busco ao máximo deixar esse podcast mais orgânico e parecer que tudo o que tá aqui seja mesmo uma conversa em que eu considero que você existe e está aí, mesmo tudo isso aqui até o momento sejam apenas palavras ditas a mim mesmo, aqui… Na minha cabeça.

Eu quero aproximar você de mim para a gente compartilhar das nossas discussões e honrar esse espaço esse espaço de fala que você ta me dando agora, para poder entender e me adequar aquilo que você pensa.

Eu quero me aproximar de mim para   eu compartilhar melhor as discussões e honrar esse espaço de fala que eu estou me dando agora, para poder entender e me adequar aquilo que eu penso.

Existem momentos em que eu me sinto sozinho, não digo só aqui, mas na minha própria vida e essa sensação de tá sozinho as vezes me coloca muito para baixo e isso acaba fazendo que eu leve o meu trabalho para um lugar muito longe de onde eu quero que ele esteja, e eu acho que eu mereço ter pelo menos aquilo que eu gosto mais acessível a mim mesmo, existem muitos momentos em que eu mesmo saboto o conteúdo que eu trago para você, mas percebe o quanto isso é estranho? Eu estou fazendo alguma coisa que me faz bem, me fazer mal.

Produzir conteúdo é muito difícil não pela dificuldade de prazos ou formalidades, mas pelas imagens críticas que eu, quanto produtor crio de você enquanto ouvinte, ou seja, pensando na mesma perspectiva de Fernando Pessoa, estou sabotando a imagem que eu mesmo criei, e a culpa normalmente é minha mesmo.

Entretanto, eu gosto de me experimentar e mostrar para as pessoas que fazer isso também é bom, porque nos ajuda a pensar em mais possibilidades para a vida, além daquelas que a gente já está acostumado pela rotina. É muito difícil conversar com as pessoas, mas acho que é mais difícil conversar com as imagens que a gente cria delas, melhor dizendo, com nós mesmos.

Sem o apoio de Aline Sá, Aline Malcher, Eurik Hander, Pedro da Cunha, Pedro Henrique, Paula Balieiro, Ramilly Rocha, e Tatiane Lopes, esse episódio provavelmente nem chegaria ao seu dispositivo. 
Todos eles acreditam nesse e em outros projetos do Vírgula Dobrada Network, se você se sentir à vontade e puder ajudar, apoie-nos acesse: virguladobrada.com.br/apoie.

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Créditos das músicas usadas neste programa

Music by Dan-O at DanoSongs.com

Music by Kevin MacLeod (incompetech.com) licensed under Creative Commons: By Attribution 3.0 – http://creativecommons.org/licenses/by/3.0/

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