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#11 REPRISE – Convite Sem Fundo

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10 min de leitura

O que nos faz não levar mais a sério os convites? Isto pode estar ligado a forma com que já consideramos todo e qualquer convite uma coisa sem importância.

Diego Malva reflete sobre o Convite Sem Fundo, uma denominação dada aos convites que as pessoas aceitam, mas não cumprem.

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Links Citados

  • Google Podcasts: Google Play
  • Artigo do Tom Coelho: Portal Café Brasil
  • Vídeo do Cadê a Chave (fragmento 7:36) – YouTube
  • Caso do Museu de Arte Moderna em São Paulo: G1
  • Caso da Criança encontrada numa cela com estuprador no Piauí: Folha

Transcrição

10 min de leitura

Você já parou pra pensar nos benefícios que as Redes Sociais te trazem recentemente?

Entendo que antigamente era fácil dizer que as redes sociais eram o futuro e era inimaginável a quantidade de possibilidades que ela traria… e trouxe não?

Mas já está claro que aproximar as pessoas já deixou de ser a maior das ambições dos criadores da grande maioria destas redes. Estamos o tempo todo juntos, amontoados em pequenos quadrados ou retângulos de imagens ou textos. Em algumas valorizamos a criatividade de um texto, geralmente destinado ao cômico, ou na beleza de uma imagem que acompanha um ou outro texto geralmente irrelevante no fim das contas.

É tempo de se tornar sensível a essa quantidade enorme informações dispersas, é tanta coisa que, ao mesmo tempo que a gente não sabe pra onde correr, ou se esconder neste mundo tão sujo do qual enxergamos através da internet, a ansiedade toma conta. Vivemos com medo de viver no mundo que nós mesmos criamos.

Não dá pra simplesmente deixar que o mal tome conta das coisas e das pessoas, sua sanidade e complacência com as pessoas pode ser a chave que faltava para abrir portas a outra pessoa também sentir satisfação em viver.

É claro que é muito mais rápido de se enxergar a dificuldade que tá escancarada na nossa cara, do que boas ações que acontecem nos mais inesperados e sutis lugares. O quanto você consegue encontrar de bom no mundo é o que te faz levantar todos os dias com vontade de experimentar a vida, todo dia pode ser um ótimo dia no fim das contas.

A as redes sociais já foram o refúgio para minha segurança, um lugar do qual posso falar aquilo que me incomoda sem que seja julgado por isso. Hoje não é mais assim, e isso me tornou um ser humano mais seletivo, isso cria a atmosfera necessária para acalmar a mente e também direcionar os pensamentos àquilo que me faz bem. E você, como acalma a sua mente nesses lugares tão cheios de informações? Ou será que você ainda está preso aí na sua linha do tempo?

 

Uma vez li em um artigo do tom coelho no  Portal Café Brasil, um fragmento que diz o seguinte:

O mundo produz anualmente o mesmo volume de informações que a humanidade levou 40 mil anos para acumular. Diariamente, quantos jornais podemos ler? Quantas revistas podemos consultar? Quantas neusleters podemos receber? Quantos canais de TV podemos assistir? Qual o custo de acessar informações nesta magnitude, muitas delas em duplicidade? E qual sua aplicação prática?

Estamos próximos de uma situação limite. Um bombardeio frenético de informações diante do qual agimos como buracos negros, absorvendo tudo, mas assimilando pouco. Uma overdose que gera conhecimento superficial e sabedoria reduzida.”

Bacana né?

Sabendo disso, passei a estar indo contra a maré, uns saíram de suas vidas sociais para expandir até as redes, já eu, nunca saí delas e estou dando meus primeiros passos fora.

É fácil julgar as pessoas por preferirem relações sociais fora da internet quando é muito mais fácil estar na sua cama e enviar uma mensagem marcando de ir para algum lugar que nem você nem a pessoa da outra ponta tem a verdadeira intenção de ir.

Os convites, inclusive, com o advento da internet deixaram de ter a importância que normalmente deveriam ter.

Você não tem a obrigação de ir a qualquer lugar da qual não tem vontade, da mesma forma que não lhe custa nada dizer não.

Aceitando um convite você está se comprometendo, se responsabilizando e deixando claro que você está de acordo com aquilo que foi proposto pela pessoa que promoveu algo esperando a sua presença.

Não tem nada de engraçado ou gratificante para nenhum dos lados. Nem para você, nem para a pessoa que deixou de te receber em casa.

Essas coisas simples se tornam motivos para você se sentir cada vez menos à vontade a estar confirmando presença ou aceitando convites.

As vezes criamos desculpas para nós mesmos, e isso é extremamente perigoso… Se você se comprometeu isso é importante de alguma maneira para você, mesmo que não seja hoje, mas no dia em que você aceitou esse convite. Por isso convidar 5 pessoas para fazer algo juntos se torna uma dor de cabeça já que é provável que no máximo duas irão, pelo mesmo motivo, o de se achar insuficiente para o ter um meio social.

Essas coisas até já viraram motivo de risos, já perdi a conta de quantas vezes já vi por aí imagens de pessoas que convidaram seus amigos aos seus aniversários e, no fim das contas ninguém compareceu. Cômico e trágico ao mesmo tempo.

Não seja insuficiente, seja importante. Não digo para empinar o nariz e esperar que todos coloquem um tapete na sua entrada, menos ainda parar de fazer festas de aniversário, mas que você se valorize e se disponibilize, proponha meios de fazer com que todos façam a sua parte, demonstre seu comprometimento e também diga que é importante para você que as pessoas estejam lá. Isso cria raízes em muitos outros âmbitos sociais e profissionais.

Uma vez assistindo um vídeo do Cadê a Chave, Leon e a Nilce estavam em hong kong e estavam completamente assustados com a “humanização” dos chineses, que é mais ou menos sobre a empatia da qual tratam qualquer pessoa, e refletindo sobre isso eles chegaram numa coisa que é super comum nos brasileiros, isso eles chamaram de convite sem fundo.

O Convite sem fundo, nada mais é do que essa maneira abrasileirada de dizermos às vezes:
“vamo marcar de sair” ou “Apareço lá na tua casa depois” e a gente normalmente nunca acredita nessas coisas por já estar careca de saber que nada disso vai de fato acontecer.

 

Voltando ao vídeo, eles falam que em Hong Kong normalmente não acontece. Se alguém te promete algo, há essa empatia de realmente cumprirem com esse convite.

Esse vídeo se tornou uma isca intelectual (como diz o Luciano Pires do Podcast Café Brasil) para eu estar mais atento à estes convites sem fundo que geralmente nós brasileiros costumamos dar.

As redes se tornaram uma fonte de ansiedade de estar vivendo a mesma coisa, o tempo parece que não passa para você e o que normalmente se deixa ali é fragmentos das coisas que está achando engraçado ou interessante, mas é muito difícil (falando de facebook) ler uma postagem de um amigo sem ser um compartilhamento de ideias dele vindos de uma página que ele gosta, e quando essas coisas acontecem eu me pergunto se conheço verdadeiramente essas pessoas ou só os gostos delas. Será que as pessoas são feitas só daquilo que gostam? Ou será que é só aquilo que ela odeia? Será que devemos relevar o que cada um posta na internet? Se não é, porquê que damos tanta importância então? Essas conclusões eu vou deixar que você tire.

A internet não é mais um lugar onde as coisas mudam, bem difícil ser um lugar de compreensão do outro ou de luta por qualquer que seja o ideal, se tornou de um lugar de abrangência que se torna algo como as jornadas de junho em 2013, para discussões sobre camisa de caricatura do bolsonaro.

Nada é facil de fazer acontecer na internet por tudo ter se tornado micro-nichos que não se compreendem nem tem vontade de compreender. Valores comuns são distorcidos para milhares de ideais serem apenas caóticamente levantados onde nunca haverá um consenso em momento algum.

O facebook já completou 13 anos de existência, e mantém ainda muitas funções desde sua fundação e sua meta agora é em melhorar algoritmos para você se manter cada vez mais nele. O Twitter há 12 também ainda está aí, e aqueles mesmos hipsters que reclamam de tudo continuam lá, inclusive eu. Parece que eles estão fazendo o trabalho deles direitinho, não?

 

Eu sinto a necessidade de mudança, não digo para a criação de uma nova rede social… No fim das contas qualquer que seja a nova, ela no fim vai deixar também de interessar os usuários e buscar tendências. O que acho que precisa mudar mesmo é a forma com que eu e você vê essas mídias sociais, qualquer que sejam elas. Nenhum discurso hoje em dia consegue ser tão verdadeiro, nenhum sussurro das minorias é ouvido por existirem gritos de notícias sobre algo bem menos relevante.

Posso citar o exemplo o caso do museu de arte em são paulo do qual uma criança tocou no Pé de um artista nú e do menino de 13 anos que foi encontrado em uma cela com um estuprador em teresina no piaui.

O que essas duas notícias tem em comum?

Ambas aconteceram no mês de setembro de 2017.

Pergunto agora para vocês qual teve mais relevância nestas redes? Provalmente não preciso dizer, não é?

 

Tudo isso é uma questão de reflexão sobre como filtrar essas coisas mais e mais todos os dias, não é para você radicalizar e jogar seu celular na parede e viver a vida, mas para eleger aquilo que realmente importante à você.

É importante as postagens felizes dos seus antigos amigos na internet, ou a sua saúde mental vendo isto e olhando para suas olheiras, com trabalhos atrasados e problemas familiares?

Será que é melhor dar uma resposta quilométrica à um machista nas redes, ou buscar pessoalmente uma maneira de conscientizar pessoas os ignorantes da sua cidade?

Busque suas prioridades nestes momentos, se torna mais fácil consentir consigo uma vontade de mudar do que esperar que alguém oriente isso à você.

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Créditos das músicas usadas neste programa
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