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#10 – É corpo que fala, né?

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9 min de leitura

Compreender o próprio corpo e como ele conversa com o mundo diz muito sobre como nos sentimos. Você já ouviu ele hoje? Se não, esse episódio é pra você.

Neste Episódio Diego Malva fala sobre seu entendimento acerca do corpo, e reflete sobre o quanto manter uma boa relação com ele faz com que a tenhamos melhores relações com outras pessoas.

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Transcrição

9 min de leitura

Esses dias estive pensando sobre como que as pessoas enxergam seu corpo. Ter uma relação vaga com o meu corpo me prejudicou por muito tempo, grande parte das coisas que pensava sobre ele eram em relação àquilo que eu gostava ou não nele, ou quando minha saúde estava ruim. Ora quando eu me machucava e ficava com raiva das minhas ações, ora quando estava cansado ou muito disposto. Será que corpo é só isso? O que você você pensa quando olha para o seu próprio corpo? Enquanto a introdução rola, coloca nos comentários lá no virguladobrada.com.br/10 ou na postagem do episódio no nosso instagram @virguladobrada

– Introdução –

O que é o corpo?

Segundo o Google, corpo é:

Estrutura física de um organismo vivo (esp. o homem e o animal), englobando suas funções fisiológicas.

Claro que existem outras maneiras de definir o corpo. Essa é, mais especificamente, no ramo da anatomia. Para compreender o corpo a gente acaba por ter que voltar a essa definição dita anteriormente: “estrutura física de um organismo vivo”.

Tentar compreender o que é o corpo, é quase como tentar compreender o propósito da existência. Complexo demais para qualquer definição, até chegaria a marginalizar o significado do corpo caso assim eu fizesse, mas falar sobre corpo não é falar sobre cada parte dele, é falar sobre respeito.

Quando pensamos nas nossas experiências recorremos a mente, ela trás as memórias à tona, dependendo da memória que acessamos, é fácil de acreditarmos que tudo aquilo realmente aconteceu, mas quantas vezes você buscou lembrar que o seu corpo também viveu tudo aquilo?

Sabemos que estrutura física é tudo que existe. Existimos e resistimos ao mundo o tempo todo, lidamos com problemas e achamos que estes apenas afetam o nosso psicológico, mas o teu corpo tá aí para te mostrar que não.

Corpo e mente fazem parte de um mesmo universo e até de uma mesma história, mas são personagens principais com pontos de vistas completamente diferentes.

Hoje em dia eu nem sei mais explicar como que é pensar na minha vida sem estar realizando perguntas a duas partes distintas do que eu sou: a primeira o “Eu-mente” e a segunda o “eu-corpo”. Sabe aquele dito popular de quando você gosta de alguém, você gosta dela de corpo e alma? É algo parecido com isso, mas ao invés de só dizer por dizer, eu realmente faço boas análises desses dois pontos de vista.

Só sei dizer que algo me faz bem, quando esse algo tá fazendo bem para mim e para o meu corpo ao mesmo tempo. Se faz bem só para a minha mente o meu corpo provavelmente tá sofrendo nessa história, e se faz bem pro meu corpo… Minha mente provavelmente vai me cobrar em algum momento. E eu digo pra você que normalmente é parcelado, viu? E às vezes ainda preciso de ajuda pra pagar.

O meu corpo fala. O corpo das pessoas fala. Se o seu não fala, é melhor você parar um pouco essa sua vida e tentar conversar com ele, principalmente quando a sua mente já está cheia de coisa pra pensar.

Quando a gente pára pra escutar o corpo, a mente descansa por completo para simplesmente entender o que está acontecendo no aqui-agora. O tempo todo cientistas querem desvendar os mistérios da mente, por achar que o corpo é só esses litros de água e sangue e kilos de órgãos. Pera, oi? Corpo é isso mesmo? Caraca, o homem é bem insistente nessa coisa de querer dar só a logica pra tudo mesmo.

Complexifique seu corpo, complexifique sua vida, complexifique suas relações. Às vezes parece tudo muito simples. “Eu gosto de você” “Eu amo você” “Você é a pessoa mais importante da minha vida”, mas quando a gente pergunta “Por quê?” Ninguém sabe responder. Relações rasas terminam por motivos rasos.

Não deixe que as relações – sejam elas boas ou ruins – façam mal ao seu corpo ou mente. Se for para amar, que seja um amor sólido, mas transparente. Se algo é importante por quê é tão fácil esconder uma coisa aqui e ali? O que é importante não é para ser o principal?

Quando digo para você complexificar tudo que é inerente a você, é justamente para olhar a vida com mais detalhes. O corpo é sim, esses litros e quilos que eu falei, mas se você não quer olhar nem para o mililitro ou miligrama, pra quê que a gente vai ter que dar todo o resto?

Para vocês entenderem um pouco sobre como que é essa tal relação que eu tô falando, vou contar um dilema recente que tive com o meu corpo.

Alguns dias antes do círio agora de 2018 eu saí com um amigo que não via tinha um tempo para beber. Nunca fui o tipo de pessoa que bebe de maneira inconsciente, sempre sei até onde preciso ir ou quando já estou no meu limite. Estava tudo super de boa, cuidei do meu corpo vez ou outra com pouca ou alguma água, até o momento em que ele quis começar aquelas brincadeiras que normalmente se faz, com bebida eu fui forçado a beber algumas vezes por já não estar lúcido o suficiente para responder qualquer coisas de acordo com os padrões do jogo estipulado que já nem lembro qual que era. É óbvio que eu já não lembro de quase nada, a última memória que tenho e de a gente estar saindo de uber pra outra festa e acordei já pela manhã na casa dele.

Foi a primeira vez que saí do controle e fui inconsequente com meu corpo de tal maneira a não me lembrar do mínimo: Manter minha própria segurança. Podia ter acontecido qualquer coisa depois de lá, que eu não lembraria.

Na manhã seguinte, só acordei por causa de uma dor de cabeça infernal. Me levantei, fui ao banheiro molhei o rosto e tentei fazer uma análise de como eu estava.

Cabeça, doendo. Falta um pouco de equilíbrio, preciso me segurar vez ou outra para fazer qualquer coisa. Meu estômago parece tranquilo pelo menos, estou com uma certa angústia no peito, cabeça doendo bastante, bastante mesmo. Preciso me acalmar. Pera, onde que… Ah, casa do meu amigo, festa. Certo. Como chegu- perfeito não lembro de nada, meu primeiro pt.

Depois disso foi só eu remoendo tentando lembrar das coisas e sofrendo por causa da dor de cabeça. Foi então que depois de deitar meu estômago parece que tomou noção que estava ali e percebi que estava com mal estar.

Certo, ânsia de vômito, voltei ao banheiro era só vontade.

A sensação de ânsia é horrível e eu odeio vomitar, foi então fiquei relutando essas coisas e só queria ficar bem logo. Minha cabeça estava doendo e eu não conseguia pensar em mais nada sem ser na dor e na ânsia. Joguei uma última água no rosto e me sentei no chão.

Meu amigo estava dormindo e eu não sabia mais o que fazer. Desisti de pensar, fechei os olhos e conversei com meu corpo, foi mais ou menos assim:

Cara, desculpa. Eu sei que fui muito inconsequente contigo, foi a primeira e última vez que eu deixo essas coisas acontecerem com você. Você é a coisa que eu mais amo nesse mundo e eu sei que sou única pessoa que entende como que você tá se sentindo, então tudo bem. Tudo bem se quiser vomitar, se quiser sentir dor de cabeça. Não me importo, só quero que você fique bem logo.

Um tempo depois eu fiquei apenas esperando o que o meu corpo tinha pra me falar, ele só respondeu com dor e mais ânsia, mas não consegui vomitar.

A partir daí eu só quis cuidar dele mais ativamente, então, busquei as coisas mais básicas que um corpo precisa. Água, comida, calor e entretenimento.

Meu amigo felizmente estava acordado quando saí do banheiro, sentei no chão onde tinha uma tomada e coloquei o celular pra carregar. Falei que estava com frio e que tava com muita dor de cabeça também e ele me jogou uma coberta.

Não queria subir na cama por causa do frio, então fiquei ali mesmo. Tirei uma foto para dizer que estava vivo, pedi água para o meu amigo e depois comi alguma coisa.

Nem precisei de remédio pra dor de cabeça, algumas horinhas depois minha dor tinha sumido e já estava novamente fazendo as pazes com meu corpo e minha mente.

Foi uma noite e tanto. Uma briga e tanto, mas como eu disse… Lá no começo, é tudo uma questão de respeito.

Esse episódio só chega até você com o apoio de Aline Sá, Eurik Hander, Ramilly Rocha, Pedro Henrique, Pedro da Cunha, Paula Balieiro e Tatiane Lopes. Seja como eles acesse virguladobrada.com.br/apoie e mantenha esse projeto vivo.

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Créditos das músicas usadas neste programa

Music by Dan-O at DanoSongs.com

Music by Kevin MacLeod (incompetech.com) licensed under Creative Commons: By Attribution 3.0 – http://creativecommons.org/licenses/by/3.0/

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