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#09 – Escrevendo Sobre Perdas e Sonhos

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12 min de leitura

Inspirado num texto de Rubens Jorge, um autor que antes era anônimo para você, Diego Malva propõe nos fazer pensar sobre perdas e sonhos.

Diego Malva conhece Rubens Jorge pelo Instagram e descobre que este tem o sonho de se tornar escritor, sabendo disso, é proposto para que Rubens escreva um texto e hoje este texto é a inspiração para o episódio de hoje!

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Transcrição

12 min de leitura

Recentemente eu comecei a usar mais as redes sociais. Inclusive, tinha um episódio que foi gravado uma vez aqui do Vírgula Dobrada, mas não foi ao ar que falava justamente sobre a minha forma de querer abominar o uso desses meios de comunicação por nos tirar bastante o tempo produtivo.

No entanto, fez um mês que eu ando gerando conteúdo para o Instagram e percebi o potencial dessa mídia para interagir com as pessoas que realmente gostam do meu trabalho como podcaster e escritor. Durante este meu processo de produtor de conteúdo e interagindo com muitas pessoas, eu conheci o Rubens Jorge.

Rubens Jorge um sonhador, como todos nós seres humanos e quando falei com ele pela primeira vez, me disse que escrevia para si mesmo letras de músicas que ninguém cantava e que não tinham melodias para serem ao menos cantaroladas.

Me aprofundando nesse assunto, ele me confessou que gostaria de ser escritor e então se impressionou quando eu disse que tinha o mesmo sonho e hoje uso meus textos para meu trabalho com o podcaster, então orientei ele a escrever um texto pra mim, que o fizesse se sentir confortável a falar ou desabafar sobre, assim como é cada novo episódio daqui.

O programa de hoje é inspirado no resultado desse pedido.

23 de setembro de 2018. Domingo, oito e vinte da noite

É fato, eu estou acabado, ou pelo menos me sinto assim. Não há como ignorar, eu sinto – juntamente com esse mundo tão imprevisível – que estou me deteriorando aos poucos. Mesmo assim não os quero deixar, seja meus amigos, familiares – cujo, aqueles têm me decepcionado -, minha cachorra… Todos no qual conheço. Eu sinto que eu poderia sair desse corpo a qualquer momento, mas eu ainda preciso estar aqui, preciso cumprir uma promessa.

– Eu sinto tanto falta daqueles meus amigos que se foram.

(…)

Uma hora eu penso em me matar e na outra penso em continuar tentando viver até onde tudo se esgotar de vez, e nesse meio ‘penso’, sua falta é aquela que eu mais sinto, Jeni. – eu sinto sua falta, mas agora você virou uma nuvem.

É tão impressionante como nos entregamos às diversas coisas que um dia vamos perder, seja alguém, música, fotos e outras milhões de coisas. Nos damos de corpo e alma para essas coisas sem ao menos pensar no que pode acontecer. Esse é o bom da coisa, não pensar no depois e simplesmente deixar acontecer.

Sinto um grande aperto no meu coração por ele estar esgotado e nem se quer, eu consigo chorar mais porque minhas lágrimas também se esgotaram. Eu não tenho mais forças desde os meus 6 anos de idade, mas eu preciso continuar, eu ainda quero uma vida mesmo que eu me sinta desgastado. Eu sou forte por estar aguentando até onde posso, e essa certeza é a única que tenho, e nada vai tirar ela de mim.

(…)

Tenho 17 anos, estou à 6 meses dos 18 e tudo está acontecendo tão depressa… porém, todos os dias acordo e digo à mim mesmo “alguma hora, tudo vai melhorar, nem que seja por 3 segundos”.

Eu estou chorando no meu consciente esses dias, pois não consigo fisicamente, mas penso no quão eu ainda tenho para amadurecer com as dores imprevistas que ainda podem vir. Nunca tirando da minha cabeça, o quão resistente eu serei até onde puder aguentar. E um dia, me formando como psicólogo e escritor, ao menos ouvir todos que eu puder dar o conforto do meu abraço.

Rubens Jorge

Faustino Beats – Nihil

Deixa eu voltar

Pra um tempo onde tudo fazia sentido
Eu queria me soltar, tipo: Por favor me larga pode crer que eu to de boa
Ainda bem que não pedi pra tu me seguir
Em alguma curva dessa eu me perdi

Faltou você pra ser minha estrela-guia

Esse foi apenas parte do texto de Rubens, se você quer ler ele na integra é só você acessar virguladobrada.com.br/09

Me deixou aqui com o peso de tudo que a gente viveu
Tipo um elástico, estica, estica, e só pra quem segurou mais que doeu

Já que esse texto sozinho ocuparia grande parte desse episódio, eu vou me atentar apenas em duas coisas me chamaram a atenção:

A forma como lidamos com perdas, e nossos objetivos a longo prazo.

A nossa própria existência é assobrada por uma perda profunda desde que começamos a nos compreender que somos seres viventes, essa perda é A morte.

Estar vivo é suportar que estamos a qualquer momento prontos para deixar esse mundo, seja qual for sua crença depois que isso acontecer.

Sempre lidei com a morte relativamente bem, até um tempo atrás eu havia tido uma conversa com um amigo que disse que tinha muito medo de morrer, e eu fiquei confuso se eu tinha medo disso também. Escrevendo esse roteiro, eu descobri que não.

Até ficar maior de idade, eu lembro de ter alguns familiares que morreram e minha mãe ficou arrasada com tudo isso. Chorava bastante e passava algumas noites sem dormir, mas nessa época eu nem tinha ideia do real propósito da vida, e pra falar a verdade até hoje não tenho, mas não me sinto ansioso pelo fato de saber que a morte vai chegar. É como muitos dizem por aí, a morte é a única certeza que a gente tem na vida.

– transição –

Chega de falar de morte, vamos falar sobre a vida!

Com as conclusões que tirei, acabei percebendo que viver é apenas um processo, tal como muito daquilo que planejamos em toda a nossa vida.

No teatro a gente costuma dizer que o processo é mais importante que a apresentação final. Entendendo que é só no processo que aprendemos a gostar de tudo e o final, não é a gente que dita se foi bom ou ruim e sim o público.

A vida é esse processo, do qual só podemos conseguir entender os meios, mas o final quem vai dizer não é a gente, mas as outras pessoas que nos acompanharam até o fim.

-transição-

Rubens fala de uma forma como que com pressa para o fim, mesmo que em outros momentos diga que o importante é aproveitar o presente, o problema é que nem sempre sabemos quando que é que momentos importantes estão acontecendo, pois quando nos damos conta… Esse momento já passou.

Quando eu disse que lidava bem com as mortes isso não queria dizer que eu lidava bem com as perdas. Já que as perdas são as piores coisas que nos acontecem, mas sempre nos fazem refletir.

-transição-

As mortes são perdas permanentes que acontecem de maneira inesperada e instantaneamente. Não estamos preparados, é um vínculo que foi cortado durante o processo. Como se um escritor estivesse perdido a vontade de escrever uma história, mas que mesmo assim não quisesse parar de escrever. Então o que ele faz é começar um novo livro, com outros personagens e novas personalidades. Quando reler esse livro inacabado, o leitor terá novas perspectivas, mas nunca um final. Este fim, realmente não importa. O processo que fez este escritor parar de escrevê-lo no processo, sim.

A perda quando as pessoas ainda fazem parte e nos são alcançáveis socialmente é o que mais dói por elas terem tido um processo inteiro de acontecimentos que causaram essa perda. Perder e ser afetado pelas lembranças dessa relação observando que novas relações foram formadas, ciclos foram fechados e não poderão mais haver lembranças entre ambos é realmente… O que mais dói.

Baco Exu do Blues, a Saudade que Mais Dói

Desculpa, a culpa é minha
Ainda não sou forte o suficiente pra proteger você
Tô me sentindo tão sozinho, onde tá você?
Eu penso tanto no seu rosto, eu quero te ver
As dores no meu peito deixam um infinito tão pequeno
Agora entendo por que Romeu bebeu veneno
Sussurrando minhas noias no ouvido de Vênus, ouvido de Vênus

A saudade que mais dói
É a do abraço não dado
Do eu te amo não dito
O te amo não dito
O te amo não dito, oh

Não se preocupe, todos os tipos de relações são realmente complicadas, mas nunca esquecidas, mesmo que não seja na mente às vezes o que sente a falta é o corpo. Hoje vivemos com essa necessidade de sermos vistos e lembrados, o problema só acontece quando queremos provocar lembranças e não construí-las de maneira saudável.

Mas como agir de maneira saudável em uma relação?

É relativamente simples:

Respeito + sinceridade + diálogo = confiança.

Se você confia em alguém, automaticamente você a respeita e é sincero com seus pensamentos em relação a ela, se não é, essa relação que se perdeu não foi construída com a confiança que ambos gostariam e é muito claro que não poderia dar certo analisando todo o processo.

Quem perdeu ou deixou a desejar em algum desses fatores em uma relação afetiva, já estava consciente da ruína de tudo isso. A única coisa que você pode fazer para contornar essas situação é se arrepender e se tornar consciente de todos os fatores que causaram essa deficiência, e no fim… Arrepender-se e construir novamente do zero.

Quem nunca falhou nesse sentido, mas mesmo assim perdeu a sua relação, fique tranquilo, todos precisamos ter um tempo para a gente e respirar novos ares, você não tem porquê sofrer com uma perda, ela não aconteceu. Só deu uma pausa, não se julgue e nem julgue os outros por isso.

O aprendizado vem quando entendemos essas lembranças que se passaram, é de viver mais o momento com pessoas que podem estar juntas e querem estar juntas de você. Tal como disse o Rubens no seu texto: 

Ao menos ouvir todos aqueles que eu puder dar o conforto do meu abraço.

-transição-

Katheleen Keating, autora do livro A Terapia do Abraço, diz que a sociedade está sofrendo de solidão. A tecnologia moderna é importante, mas todo o ser humano precisa de carinho físico. E afirma que as pessoas não admitem que precisam de carinho, pois, isso é sinal de fraqueza e dependência, principalmente para os homens.

E mais uma vez sabotamos a nossa própria felicidade.

Pitty – Lado de Lá

Escolheu deixar tudo aqui, sumir daqui
Pra onde nem sei
Mas espero que sim

Se arrancou, e partiu daqui e levou de mim
Aquele talvez
Rir de tudo no fim

Talvez pudesse resolver (quem vai saber?)

Certo! Mas e os objetivos de vida?

Bom, a gente vive atrás deles, achamos que eles estão sempre distantes pela urgência das nossas vidas, mas e se eu disser que para ser alguma coisa você não precisa ter um pedaço de papel comprovando isso?

A gente tem medo de nos afirmar e sofrer as consequências disso, o Rubens foi uma das pessoas que foram capturadas por mim sem querer, e hoje eu posso mostrar o quanto ele ainda pode explorar falando simplesmente sobre a vida dele. Todos somos artistas, mas temos sempre a mania de nos comparar com os melhores no que fazem o que você deseja fazer, e isso nunca diz nada.

As pessoas realizam seus sonhos vivendo, você sabe que seu sonho é realmente a uma  vontade de fazer aquilo e ultrapassa até a sua vontade de viver.

Chega de estar no mundo dos sonhos! Explore e busque os primeiros passos antes de se manter no mundo das ideias, deixe o mundo das ideias para quando você estiver produzindo.

Me apropriando do discurso do Elielson Júnior lá no primeiro episódio do Sabendo Ser Amapá, eu diria que o Rubens é um exímio escritor de gaveta, mas poucas pessoas tiveram realmente a vontade de ler e fazer alguma coisa com o texto dele. E é isso que eu também faço quando busco o Podcast como uma ferramenta de exposição do meu sonho. Eu não nasci querendo ser podcaster, menos ainda escritor. A vida me mostrou aquilo que eu era bom, e eu quero morrer fazendo isso.

Sanza – C’est la vie

Muito obrigado para você que ouviu esse episódio até o fim, se você gosta do meu trabalho compartilhe com seus amigos.

Acesse virguladobrada.com.br/apoie e seja como Pedro Henrique, Aline Sá, Eurik Hander,  Tatiane  Lopes, Ramilly Rocha e Pedro da Cunha.

Eles acreditaram nesse projeto e hoje ajudam ele a continuar vivo.

Acesse o site virguladobrada.com.br para conhecer outras vozes aqui do estado do Amapá. Você também pode me contatar pelo instagram assim como o Rubens fez, e só me seguir lá: @diegocansado

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Créditos das músicas usadas neste programa

Music by Dan-O at DanoSongs.com

Music by Kevin MacLeod (incompetech.com) licensed under Creative Commons: By Attribution 3.0 – http://creativecommons.org/licenses/by/3.0/

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