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#05 – Como ser um péssimo líder

O Vírgula Dobrada Network contempla a vida e o Amapá do jeito que é. — Ouça os podcasts hospedados conosco.

9 min de leitura

O que fazer quando a vida te coloca para ter uma experiência como líder? A disciplina de Direção Teatral fez com que Diego Malva pudesse compreender isso.

Diego Malva reflete sobre a sua experiência como diretor em uma disciplina na Universidade Federal do Amapá e como isso conseguiu fazer compreender melhor como que as experiências artísticas com outras pessoas artistas e não-artistas funcionam.

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9 min de leitura

Existem milhares de teorias sobre liderança, estou aqui para falar hoje sobre a minha primeira experiência como líder, sendo mais específico: Como diretor de uma peça de teatro.

Esse é o Vírgula Dobrada, o seu podcast quinzenal das segundas apresentado por mim, Diego Malva no site virguladobrada.com.br. Gostaria primeiramente de agradecer a você que acompanhou a gente durante esse mês de julho de 2018, do qual recebemos o total de 146 downloads únicos, comparado com o mês de junho que teve apenas 19.

Estou dando o mérito disso ao Google Podcasts, Spotify e CastBox que forneceram a mobilidade e facilidade para esse episódio chegar em todas essas pessoas, porém eu gostaria mesmo era de estar agradecendo à você fiel anônimo que anda ouvindo a gente informalmente e no seu silêncio compartilhando com amigos a nossa existência.

O maior problema para quem cria um conteúdo para a internet é entender o que está fazendo de certo e errado, o que deveria continuar e o que deveria parar de ser feito, por isso se você não der a sua opinião eu vou continuar fazendo aqui o que der na telha.

Entendendo essas coisas, eu convido você a mandar uma mensagem para a gente, no virguladobrada.com.br/contato ou na postagem deste episódio lá no site. Você pode até informar se deseja ou não que as pessoas saibam que foi você que enviou a mensagem, o importante mesmo é você me ajudar a discutir assuntos que estejam mais próximos de sua realidade.

Temos redes sociais, então caso queira saber mais sobre o nosso trabalho e sobre aquilo que estamos promovendo: siga a gente no @virguladobrada no instagram @virgulapodcast no twitter e no facebook.com/virguladobrada.

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Lembrando que os links, referências e a transcrição deste episódio podem ser encontrados no virguladobrada.com.br/06

Neste primeiro semestre de 2018 tive a surpresa de ter como disciplina a Direção Teatral e senti na pele como que funciona todo esse processo de criação de um espetáculo cênico, é relativamente simples:

Primeiramente tem a pesquisa de tema, elaboração de um projeto com tudo o que você irá precisar, como você imagina que será sua metodologia, uma prévia do produto final e já ter em mente quem você quer que esteja junto com você durante todo esse processo. Depois de tudo isso é só partir para buscar esse pessoal para trabalhar com você e tomar nota num diário de bordo tudo aquilo que aconteceu nos ensaios.

O teatro consegue ser algo maravilhoso e um pesadelo na mesma proporção, pelo fato de precisarmos de outras pessoas para conseguir fazer com que ele exista. A gente acha que tá arrasando quando tem o projeto pronto, mas quando vai buscar as pessoas, cadê?

Eu não vou e nem quero aprofundar em todo o meu processo de direção, já falei de todos os meus dilemas para o professor da disciplina no meu diário de bordo. O que eu gostaria de compartilhar com você é o que aprendi com tudo isso.

Conversei com muita gente durante todo esse meu percurso, quando eu falo muita gente, não é cinco ou seis. Foram quatorze pessoas no total e percebi que tudo isso foi justamente sobre o quanto é complicado ser a pessoa que faz as coisas acontecerem. Nesta mesma época eu comecei a ouvir o LiderCast simplesmente por me gerar o conforto de saber que da mesma forma que eu, existem pessoas que nas suas dificuldades encontraram meios de fazer algo que considero de outro mundo, uma realidade.

Essa minha fragilidade na construção desse diretor pode ter sido o gatilho de muita gente para não continuar comigo durante o todo processo, mas mesmo que eu houvesse quase desistido durante o processo umas três vezes, nenhuma delas era por falta de compromisso. Era mais por não conseguir dar a luz necessária para as pessoas comprarem a minha ideia o tanto quanto eu.

Ser o produtor, diretor, roteirista, psicólogo ou líder desses atores está mais para descomplicar o que normalmente já é complicado para você. A gente nunca consegue prever os ensaios ou o que o ator vai ou não gostar de fazer, a gente descobre ali no momento em que ele fala que não consegue fazer aquilo. Só que os atores esperam mesmo é que você tenha algo diferente só pra eles ou que deveríamos parar o ensaio por causa desse pequeno problema. E é óbvio que nem sempre a gente vai aceitar que seja assim.

Diferente de muitos processos artísticos de grupos independentes que existem no Brasil inteiro, normalmente não se tem um relógio dizendo que mais um dia acabou e que está se aproximando o dia de uma apresentação que não está nem 10% pronta.

Ser líder exige improvisar, propor e em últimos casos efetivamente fazer para quem você está liderando. Existem muitas imagens surgindo na cabeça dos diretores até nos momentos em que nenhum dos atuantes tem vontade de fazer coisa alguma: desde uma possível derrota e desistência, até uma nova inspiração.

A coisa mais maluca de tudo isso é que mesmo nestas situações, é que o líder não demonstra fraqueza – até para não desestimular seus atuantes -, em nenhum momento senti que não conseguiria fazer. No fim das contas a ideia era minha, por que que não seria possível? Poderiam existir muitas dificuldades, se uma proposta não funcionou o que nunca vai faltar são novas maneiras de fazer essa mesma coisa.

No fim das contas, nunca consegui entender o que aconteceu para tanta gente desistir, mas mesmo assim eu também não me importei tanto com essas questões. Eu tinha um objetivo e foi nele que continuei trabalhando até que desse certo, eu queria ficar implorando para as pessoas me ajudarem se não queriam, vou fazer o quê? Pode ir, cara.

Não acho que ser um bom líder é ordenar as pessoas a fazer aquilo que você espera que façam, se for… Sinto dizer, sou um péssimo líder.

Eu aprendi que mais do que mandar, é necessário compreender o contexto e agir em cima disso. É preciso esperar que queiram experimentar o que é proposto, e se não for da vontade… Proponho outra coisa até que os resultados sejam satisfatórios para mim e para a pessoa que fez aquilo ser concreto.

O processo é impossível de prever, mas é só com ele que a gente aprende o que precisa. Quando cheguei nas últimas duas pessoas que iriam concretizar esse trabalho para mim, percebi da importância de todos aqueles que foram me abandonando. Eu gostaria de comunicar com esse espetáculo o tema: relações sociais. e terminei ele aprendendo a conversar com pessoas diversas e moldando o processo de acordo com elas. Só nesse quesito eu já senti a sensação de trabalho cumprido.

Depois de disso tudo, tive praticamente três ensaios com as duas atrizes. O primeiro deles foi tão sem planejamento que uma delas tinha aceitado participar não tinha nem 10 minutos. Usei aquilo que já tinha sido pensado e experienciado com as pessoas que me abandonaram, e novas coisas surgiram na relação das duas atrizes. Acabou que neste mesmo ensaio, o espetáculo que estava em 25% partiu para 90 em poucas horas.

Sorte? LiderCast me ensinou que não.

No momento deste último eu estava pronto para mostrar para qualquer um qual era meu objetivo, as experiências estavam tão claras e eu já tinha explicado para tanta gente que se tornou mais do que simples demonstrar confiança o suficiente mesmo àquela que tinha acabado de entrar. Era tão esclarecedor o fato de fazer a mesmíssima coisa que outras pessoas já tinham experimentado, que a explicação sobre o que se tratava já estava pronta na mente de cada uma das duas atrizes.

Como dizia Rubens Matuck:

“O processo é mais importante que o resultado propriamente dito.”

E foi. O tempo não ajuda e nunca vai ajudar a gente que trabalha com a arte de fazer a imaginação se tornar realidade, mas a pesquisa para chegar na veracidade do desse trabalho é o que importa mais do que o§ ato de liderar e o mérito do teu trabalho.

No final, a única pessoa que vai entender a importância disso é você mesmo, saber se deu certo ou errado é que cabe às outras pessoas. E mesmo se depois, você queira que tudo isso finalmente dê certo, é só lidar com ele como um processo novamente: Errar e experimentar outra coisa, acertar até encontrar com o erro outra vez e no fim tudo isso a gente acaba encontarando uma maneira de equilibrara as coisas, para você e para as outras pessoas.

O trabalho de direção foi uma experiência que em que aprendi em um semestre o que a vida normalmente não ensina às pessoas numa vida inteira.

A transcrição deste episódio podem ser encontrada no virguladobrada.com.br/06

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Créditos das músicas usadas neste programa

Music by Dan-O at DanoSongs.com

Music by Kevin MacLeod (incompetech.com) licensed under Creative Commons: By Attribution 3.0 – http://creativecommons.org/licenses/by/3.0/

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