Macapá, Amapá
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#02 – Amapatia

O Vírgula Dobrada Network contempla a vida e o Amapá do jeito que é. — Ouça os podcasts hospedados conosco.

9 min de leitura

O Amapá — assim como qualquer outro estado — tem muitos problemas, mas o nosso maior problema não é só a política ou economia.

Diego reflete sobre a sua teoria intitulada “Amapatia” a empatia dos amapaenses, e os problemas que ela causa quando se tem isso em excesso para quem mora nesse estado.

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Transcrição

9 min de leitura

Em algum momento você se sentiu mal quando deixou de ir em algum lugar que
seus amigos foram, conversou abertamente sobre a sua vida com alguém que
você tinha acabado de conhecer, ou deixou de ir ou fazer algo extremamente
importante para você só para ajudar outra pessoa que estava em um momento
difícil? Se sua resposta foi sim para a maioria dessas perguntas, eu posso afirmar
concretamente que você age como um amapaense.
– Recados –

Conversando rapidamente com um amapaense, você sendo estrangeiro de
qualquer estado daqui do brasil mesmo, ou de outro país, muito rapidamente

você vai cair em uma conversa sobre os problemas que a gente tem aqui. Grande
parte deles são problemas comuns de qualquer lugar do brasil, educação
precária, política inconsistente, lojas cobrando preços absurdos em produtos
que na internet são baratos, até a greve dos caminhoneiros pegou a gente por
aqui.
A coisa interessante nisso tudo, é que você não vai entender o porquê logo de
cara, é que você irá conversar sobre isso tendo conhecido ele por tão pouco
tempo e à medida que se aprofundar nesses e em outros assuntos, uma coisa vai
ser perceptível. A empatia, mas aqui vou chama-la de amapatia.
O amapaense tem uma virtude que parece ser tão boa para muitas pessoas de
outros lugares, mas que para nós moradores daqui se torna algo extremamente
ruim se não dar a ela a sutileza que merece.
Em algum momento com certeza já deve ter sonhado com um lugar em que as
pessoas gostam de se colocar no lugar do outro, entendem as outras pessoas ou
prefere muito mais que outra pessoa faça algo bom para o próximo do que para
ela mesma. Maravilhoso não?
Não é bem assim, eu vou mostrar pra você isso agora em outro ângulo.
Tente imaginar um lugar em que o tempo todo alguém te dá conselhos que ela
mesma não segue, ela afirma saber exatamente como você se sente, o porquê
que as certas coisas acontecem com você, mas se você for perguntar pra ela
como ela está ela simplesmente não vai saber dizer ou vai falar que está bem.
Pois é, você já deve ter percebido que essas parecem ser duas realidades
totalmente distintas, mas eu te digo que não é.

Aqui no Amapá temos muitos problemas sérios, mas os dois maiores são
camuflados por nós mesmos.

1. Falta de identidade
Identidade, personalidade, individualidade, tanto faz. Se um amapaense for
falar com outro sobre problemas, medos, méritos entre outras coisas, é certo que
do meio para o fim dessa conversa haja um certo combate de ego.
Coisas como “Não, mas lá em casa tá muito pior…” “Eu sei, cara. Isso é só uma
fase, eu já passei por isso.” “Conseguiu emprego? Putz, já nem preciso trabalhar
mais, já tenho tudo o que quero”, são coisas super comuns de acontecer.
Sabendo disso, o que tiramos disso tudo? Ao entrar nesse tipo de conversa com
alguém, já o vemos que vai chegar nesses tipos de conclusão e acabamos por
conversar sobre outras coisas ou com outras pessoas.
A consequência disso se aumentar para nossos 750 mil habitantes é de que, para
conseguir conversar com qualquer pessoa, temos de nos ponderar para não falar
de nós mesmos quase nunca.

Mas Diego, isso é bom não é? Egoísmo é muito ruim, a gente tem que parar de
olhar só pro nosso umbigo…

Correto. Em partes. Vou explicar o porquê.

O Amapá teve, nos últimos três anos, um aumento de 308% nas tentativas de
suicídio segundo dados da Superintendência de Vigilância e Saúde do Amapá.
E o que isso tem a ver?
Bom, primeiro temos que ver que a maior parte das pessoas que tentam suicídio,
sofrem de alguma doença psicológica, como a depressão.

Pesquisando rapidamente no google sobre depressão no Amapá, vemos que
segundo dados divulgados em 2013 pelo IBGE o amapá tem a menor proporção
de depressivos em tratamento no Brasil.
NO BRASIL.
Particularmente, posso afirmar que até hoje eu nunca procurei um psicólogo para tratar minha depressão intensa que tive em meados de 2011 até o segundo
semestre de 2016.
Agora imagine o que afetou em mim esses 5 anos e meio de plena consciência de
que estava doente, mas que eu não queria falar sobre isso ou receber ajuda,
como não procurei profissional encontrei maneiras de lidar com a minha, de vez
em quando ela ainda está aqui, mas eu já entendo o que eu preciso para
melhorar, mas e quem não tem cinco anos para refletir sobre si mesmo?
É simples, mas doloroso… Sai da estatística de tentativa e vai para outra… O suicídio.

A identidade só é descoberta quando conversamos com outras pessoas sobre a
gente, para saber se aquilo que eles falam ou pensam é realmente aquilo que
vemos no nosso espelho imaginário.
Aceitando ou combatendo aquilo que falam sobre nós, faz com que a gente
escolha o que é ou que não é parte de você. Isso constrói a sua identidade e faz
com que você se sinta melhor parando de se preocupar tanto com o que as
pessoas falam, mas sim o que você pensa sobre si.
Tem momentos que precisamos somente ser ouvidos, milhares de suicídios são
impedidos simplesmente com uma conversa profunda com alguém sobre como
ele realmente está se sentindo.

Não é simples resolver esse tipo de coisa, mas até conseguir descobrir quem
somos temos que nos envolver com o segundo sutil problema que temos quando
se há demasiada empatia com o outro e não consigo.

O segundo problema é o complexo de manada.
Quem é do Amapá percebeu que a prefeitura de Macapá andou abrindo os olhos
para o incentivo à cultura.
Claro que é um passo à frente, a resposta da população a isso já é visto em alguns
cantos da cidade e com certeza você já deve ter percebido alguns deles neste ano
de 2018.
Movimentos sociais em praças em prol de algum objetivo
Mais e mais apresentações, shows e outros estilos musicais crescendo e unindo
pessoas
É cada vez mais comum ter apresentações teatrais baratas para pessoas
frequentarem o teatro
Entre outras manifestações coletivas que fazem pessoas estarem juntas, posso
citar aqui aquele episódio de Dragon Ball que foi assistido por milhares de
pessoas, esportes, yoga, batalhas de rap, entre outras coisas acontecendo nas
praças da cidade.
Mas Diego, o que o incentivo à cultura tem a ver com o complexo de manada?
Pensa comigo, como eu disse anteriormente, faz parte da grade de problemas
sutis.
É uma reação em cadeia, se você não sabe do que você gosta – negligenciando
sua identidade – você vai estar predisposto a seguir pessoas e compor núcleos
dos quais você não tem certeza alguma se está nele porque gosta, ou porque foi
inclinado a estar lá por outra pessoa.
É comum do ser humano estar propenso ao complexo de manada. Ninguém
gosta de ser diferente das pessoas das quais se identifica, fazemos o máximo
para imitar e se adaptar às coisas para parecer com o outro.
Você ainda acha que essas ações sociais que estão sendo promovidos pela
prefeitura são suficientes para as pessoas estarem trabalhando a sua
identidade?
É claro que é importante ter milhares de coisas para se fazer, lugares para se ir,
pessoas para encontrar e amigos para compartilhar tudo isso. Mas até que ponto
você está agindo pelas pessoas ou para você?

Complicado, hein?
Com certeza tem muitos problemas sutis vagando por aí na sua mente depois
dessa gostosa reflexão. Existem outras além dessas e eu também ficaria aqui o

dia todo conversando com você, mas a mensagem que eu queria te trazer nesse
episódio é essa.
Não veja a amapatia como um problema, ela gera problemas se você não olhar
para ela da maneira que ela deve ser vista.
Indo a outros estados do brasil você irá perceber que falta muita amapatia nas
pessoas, se colocar no lugar do outro é maravilhoso quando você entende que
tem de haver o seu lugar ali também.
Estar agindo de forma saudável e respeitosa consigo se torna extremamente mais proveitoso à outras pessoas também se sentirem assim. Você nunca irá conseguir estar disposto a ouvir alguém se não entender que os seus problemas também são importantes e devem ser resolvidos.
Anota aí, não dá para ajudar ninguém a não se afogar se você também não
souber nadar, viu?

Eu finalizo finalizo esse episódio por aqui com essa vírgula dobrada de Zíbia
Gaspareto:

Todo excesso faz mal, toda falta também. Ambas mostram o que não queremos
ver. Se comer muito engorda. Se gasta demais falta dinheiro. Fazer por obrigação, cansa. Com entusiasmo fica mais fácil.

O negativismo pesa, a alegria alivia. A tristeza deprime, o prazer fortalece. A paciência acalma, a irritação desequilibra.A persistência consegue, a teimosia dificulta. O bem eleva, o mal derruba.

Tudo é assim. A vida ensina que o bem estar está no equilíbrio.

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Créditos das músicas usadas neste programa

Cupuaçu Sessions por Nitai Santana – Céu de Vênus

Triton Oficial

Chediak & Scoppey – Você Nunca Vai Saber Quem Eu Sou

Luiz Lins – A música mais triste do ano

Music by Dan-O at DanoSongs.com

Music by Kevin MacLeod (incompetech.com) licensed under Creative Commons: By Attribution 3.0 – http://creativecommons.org/licenses/by/3.0/

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